Petrópolis Convention e Visitors Bureau

Dia da Consciência Negra: data que marca a luta e resistência dos povos escravizados

20/11/2020

Por: Beatriz Dias


Celebrado em 20 de Novembro, o Dia da Consciência Negra reúne diferentes ações de combate ao racismo e reascende o debate sobre a chegada dos negros no país, a escravidão e o racismo estrutural da sociedade. A data faz referencia ao dia da morte de Zumbi dos Palmares, líder do Quilombo dos Palmares. Considerado símbolo da luta pela liberdade e valorização do povo negro, Zumbi foi morto em 1695, na referida data, por uma expedição comandada pelo capitão Furtado de Mendonça.

O Dia Nacional da Consciência Negra foi incluído no calendário escolar nacional em 2003, e em 2011, foi instituído oficialmente pela lei federal 12.519. A regulamentação não transformou a data em feriado nacional e fica a critério de cada estado e cidade optar por ser feriado ou não. No entanto, a data é marcada por atividades culturais, debates e manifestações organizadas pelo movimento negro em diferentes regiões do país.

Por que Consciência Negra?

Esse era o nome de um movimento anti-apartheid, que estava a frente de greves que fragilizaram a política segregacionista na África do Sul em 1973. O movimento defendia a autoestima da população reprimida e adotou nos Estados Unidos o lema “Black is Beautiful”. Com o objetivo de reforçar as características físicas das pessoas negras e como uma forma de fazer com que o negro olhasse para si mesmo como um ser humano.

A data é fundamental para evidenciar as desigualdades e violências contra a população negra, que até os dias de hoje, ainda persiste em nosso país. Além de ser uma forma de relembrar que a sociedade foi construída por meio da escravidão. E por mais que mudanças tenham ocorrido, a falta de oportunidade para a população negra, o racismo presente nos detalhes do cotidiano e as tentativas de apagamento da cultura africana evidenciam que ainda temos um longo caminho a ser trilhado.


Comunidade Quilombola em Petrópolis

Os negros que fugiam da escravidão entre os séculos XVI e XIX formavam comunidades denominadas “Quilombos”, nelas podiam exercer livremente sua cultura e garantir a transmissão da mesma às próximas gerações. O mais famoso deles foi o dos Palmares. Entretanto, ainda existem muitas comunidades quilombolas que resistem ao tempo.

Em Petrópolis, na localidade conhecida como Tapera, próximo ao Vale do Cuiabá, existe uma comunidade formada por descendentes africanos e ex-escravos. A origem da comunidade é do final do século XIX quando os escravos, então libertos, foram transferidos para a parte superior do Vale do Cuiabá.


A comunidade mantinha todas as tradições dos seus antepassados. Todas as casas eram feitas de pau a pique e os membros das famílias se casavam apenas entre si, ou seja, primos com primos, em todas as gerações, para que assim, fosse mantida a tradição.

No dia 12 de janeiro de 2011 a comunidade foi atingida pelas fortes chuvas, que danificaram as casas de pau a pique e as famílias tiveram que se retirar da localidade. Mas devido ao desejo de voltar a viver na Tapera, as famílias retornaram em 2013. No entanto, as casas agora são de PVC (material revestido de concreto) e os moradores contam com serviço de energia elétrica, água encanada, coleta de lixo e transporte escolar.

fotos: facebook.com/Quilombodatapera

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