Petrópolis Convention e Visitors Bureau

Dia do Músico

21/11/2020

Por: Patrícia Kneisch


O dia do Músico, celebrado em 22 de novembro, é a data que comemora a vida desses artistas que enchem nossas vidas de diversos sentimentos provocados pelo som de cada acorde, cada nota musical. A música nos acompanha diariamente e vivemos a vida com uma trilha sonora diferente a cada dia. 

Atualmente existem muitas maneiras de começar uma carreira musical, uma das principais formas é criar um canal no YouTube. Mas há pouco tempo atrás as coisas eram bem diferentes. Tony Magdalena, da banda Tribo de Gonzaga, contou um pouco sobre como foi para ele começar uma carreira na música pouco mais de uma década atrás e em uma cidade pequena, além de ter dado dicas para vocês que anseiam por uma carreira musical.

Tony, como foi a decisão de formar uma banda? Era algo que vocês já queriam ou a ideia surgiu de repente?

Bem, a banda foi formada em março de 2006, quando estávamos em turnê pelo sul do país, onde tocávamos em um espetáculo teatral e nas horas vagas já fazíamos um forró de maneira informal, daí recebemos um telefonema quando estávamos em Curitiba para fazermos um forró em Itaipava na casa Nucrepe. 

Antes do trabalho com o teatro eu já tinha tido uma banda de Forró em Petrópolis pelos anos 2000, já existia a história de forró na minha carreira que vinha amadurecendo as formações neste sentido, quando percebi que a união do grupo convergia com as ideias, aliado ao convite, foi a oportunidade de fazer desabrochar o que descobrimos no interior de cada um, o prazer de cantar o cancioneiro brasileiro.

Como vocês começaram? O que fizeram para se tornarem conhecidos?

Como já tínhamos uma banda formada e cantávamos as músicas que adorávamos com arranjos próprios, a nossa escolha dos repertórios começou a cativar o público e a coisa começou a ter uma proporção satisfatória para a casa, que incluiu na sua programação uma data semanal onde tocamos de maneira interrupta uns oito anos, desta forma, já com canções de própria autoria e um público cativo, nos deu uma base inicial bem formatada.

O que nos proporcionou a popularidade que temos hoje foi sem dúvidas a obra autoral que acumulamos nos quase quinze anos de Tribo de Gonzaga. 

Foi o carinho com o público e o carinho do público com a Tribo que faz com que nos dias atuais nos encontremos em gravação do nosso quarto álbum de composições. Além da questão poética, houve também uma grande preocupação em nos tornarmos empreendedores de nosso trabalho onde constituímos empresa, adquirimos equipamentos profissionais e montamos equipe de trabalho com técnicos de som, luz, cenografia etc...

Essa construção contribuiu para sermos independentes.

Pode contar um pouco sobre os desafios que enfrentaram antes de gravar seu primeiro CD? Ele foi independente ou vocês foram contratados por uma gravadora?

Cada um dos sócios da banda se especializou nas suas demandas. O Gabriel, por exemplo, estudou muito sobre gravações e masterizações para podermos garantir o máximo de qualidade nas gravações, então toda parte técnica de palco ele que responde e dá o crivo final.

Isso tudo não teria acontecido sem dinheiro, e logo no início sempre guardamos um bom percentual de dinheiro de cada cachê, esse caixa nos libertou, pois sempre fomos uma banda com investimentos e noção que éramos uma empresa.

O Guido era o sócio responsável pelo caixa e pagamentos. 

Igualmente, teríamos que ter uma parte burocrática de vendas de shows e regularizações de eventos junto aos órgãos para realizações de shows, daí a parte que me cabe, estudei, e muito, as legislações de como realizar eventos que nos garante, com independência, apoio destes órgãos para realizarmos projetos incríveis na nossa trajetória.

Então com este tripé de ações garantimos equipe de profissionais gabaritados para eventos e gravações, possuímos equipamento satisfatório para realizarmos shows e temos a maneira de legalizar desde a parte burocrática de uma gravação de CD à shows em praças públicas. É claro que estes custos são amparados pelo caixa da banda.

A importância de ter uma rentabilidade e dinheiro guardado é que quando gravamos o primeiro CD, nós contratamos a Sony Music para prensar ele em sua fábrica, não temos gravadora que nos contrata, somos totalmente independentes

Você acha que ao terem seu primeiro CD portas se abriram ou os desafios continuaram? Ser parte de uma gravadora tornou as coisas mais fáceis?

Os desafios nunca param! Claro que um contrato com gravadora tornam as coisas mais abrangentes. Esta abrangência é que nos falta.

Estamos num país de proporções continentais e fica muito difícil ser conhecido sem a mídia para amplificar esta visibilidade, então haja estratégia de trabalho para movimentar neste sentido.

A estratégia é como uma pedrinha jogada em um espelho d’água, que movimentam ondas que vão se abrindo conforme trabalhamos.

Estes desafios são maravilhosos e motivadores, pois a cada cidade somos muito bem recebidos. Isso mostra que nosso trabalho vai além do público cativo, a obra autoral tem a força de cativar o coração de quem assiste.

Começar uma banda em Petrópolis foi um desafio maior? Você acredita que teriam alcançado seus objetivos mais rapidamente se estivessem na capital? 

Já pensamos, inclusive, em nos mudarmos para a capital carioca, pois as coisas acontecem proporcionalmente. 

Porém, estarmos na nossa cidade nos proporciona uma atmosfera que adoramos, fazer festas na nossa cidade, eles que nos aguardam com nossas limitações. Mas temos uma boa galera que nos conhece no Rio, em Juiz de fora e as cidade que nos circundam como Teresópolis, Friburgo, Areal, Três Rios, Sapucaia e Cebolas.

Cidades como Búzios e Macaé, na parte litorânea. Mas perceba que precisamos trabalhar, e muito, para alcançar nosso estado e assim, por consequência, outras praças.

Como é para vocês serem uma banda bem reconhecida em Petrópolis?

De fato, sermos bem populares na nossa cidade não nos convence de tarefa completada, há muito a se trabalhar aqui em Petrópolis ainda. Temos que ser conhecidos em todos os cantos da cidade.

Precisamos tocar com frequência em correias, Sertão do Carangola, Alto Independência, Alcobacinha, Siméria, Quitandinha e Bingen.

Ufa quanto trabalho né!?

Penso que somos um pouco conhecidos, mas não inteiramente conhecidos.

Há alguma coisa que vocês ainda não alcançaram como banda e que seja um objetivo?

Os desafios são amplos e as realizações vem com o tempo.

A banda já viajou pelos cantos do país e adora tocar nas cidades pequenas e bairros da cidade, isso faz com que nossos dias se tornem um turbilhão de emoções que requer organização e muito contato de amizade, pois são elas que dão a direção de nossas tarefas.

Para encerrar, que conselho você daria para os jovens músicos que estão começando agora?

Para os colegas que iniciam a trajetória de uma carreira artística, dou a dica de seguirem estes passos de organização, ressalto os seguintes pontos:

Música autoral, só a música autoral te levará a um patamar de excelência;

Perceba as diferenças entre fama, glamour, seja cordial com todos e sempre tenha alegria, pois sua profissão na maioria das vezes leva isso ao público;

Saiba o peso de uma caixa de som para valorizar no futuro o trabalho de pessoas que estará aí seu lado para te proporcionar tranquilidade na sua atuação;

Guardar dinheiro, ele te leva para frente;

Medir com disciplina consumo de álcool e outras coisas, lembre-se, você é uma pessoa pública;

Estude sempre música e parte técnica;

E saiba que sucesso não é só ser conhecido nas grandes mídias e sim saber que onde você atua sua obra é aceita e apreciada por quem apontar ao seu caminho.

Isso sim e ser feliz no trabalho.

Muito obrigada, Tony, pela entrevista e por nos fornecer tantas dicas para as pessoas que pretendem entrar no mercado musical. Parabéns pelo seu dia e nós desejamos a você à Tribo de Gonzaga todo o sucesso na carreira de vocês.

Fotos: Alaor

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